quinta-feira, 17 de maio de 2012

Para onde foi a minha criatividade?

Antigamente eu levava pedaços de papel
Para não deixar a inspiração escapar
Qualquer luz me trazia som
E cada sol era um novo começo
Antes eu tinha tempo de criar
E quase sempre as estrofes se encaixavam com perfeição
Mesmo que não soubessem porque
Eu tinha sempre uma canção
Há algum tempo minha vontade estava lá
Sempre que eu me sentia sozinha
A folha branca me fazia companhia
Um dia a tristeza foi a minha maior aliada
O sofrimento romântico, bonito, de livro antigo
Carregando cada palavra de sentimento
E significado
Só porque, num instante, não estaria mais láHoje tenho medo da tristeza
E de onde ela pode me levar
Minha vida ainda começa diariamente
Mas o sofrimento barra o som
Acordes alegres me aborrecem
Um grande buraco se abriu
E temo, sem querer acreditar
Que foi por ele que minha essência fugiu

P.S. Desculpem as palavras mal ajambradas, esse texto não nasceu para ser poema.




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Aos poucos...

Escrever, para mim, é um processo de abertura. No sentido mais claro da palavra abertura. Toda vez que eu começo a escrever me abro para o mundo e isso implica em abrir coisas dentro de mim que muitas vezes passam um tempão fechadas. Escrever é muito emocional para mim, mais ainda do que cantar. Porque quando eu canto, me preocupo com a técnica (que eu não domino), mas quando escrevo não me preocupo com nada, só em conseguir colocar tudo em palavras. Tão natural, tão íntimo e, por isso mesmo, tão assustador.
Tão assustador que ainda estou com medo. Meu post anterior me doeu escrever e ainda me dói ler. Foi um início da minha luta e do meu luto. Primeiras palavras... Mas minha dor está longe de aliviar.
O primeiro ano é terrível. Primeiras vezes são sufocantes. Na última sexta-feira meu afilhado nasceu. César é lindinho, um neném comprido, bochechudo e calminho. Uma coisa! Encontrei passagens muito baratas para SP e lá fui eu pegar o bichinho no colo. Desci em Congonhas e a primeira coisa que me veio à cabeça: "é a primeira vez que eu venho sozinha a SP de avião e meu pai não vem me pegar". Primeira vez. Primeiras vezes.
Bom é que eu estava indo para casa (pela primeira vez) para fazer alguma coisa que não tinha nenhuma relação com a morte do meu pai. "Muito pelo contrário", como disse minha tia. E eu estava precisando.
Mas o processo é lento, muito mais lento do que merecemos. A dor vem e vai mas não está ausente nunca. Aos poucos vou conseguindo imaginar perspectivas. Me alegrar com as coisas. Voltar a uma vida mais ou menos normal. Aos poucos vou perdendo o medo de escrever.
E vou também me acostumando com o medo que tenho de dizer tudo que está se passando pelo meu coração. Ainda não consigo, não tenho estrutura. Seria impossível tentar agora, o texto jamais conseguiria vencer as lágrimas e soluços.

Mas aos poucos eu chego lá.

"We the people fight for our existence
We don't claim to be perfect but we're free
We dream our dreams alone with no resistance
Fading like the stars we wish to be"

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A conta fechou

Então, no meu último post, falei de contas que nunca fecham. Falei também do meu pai, que não resistiu a tudo que seu corpo estava sofrendo e faleceu no dia 19 de março, 3 dias antes de completar 59 anos.
Muito novo, com muitas coisas para fazer ainda, e a ideia de que a vida do meu pai acabou me é tão estranha como seria para ele mesmo se ele pudesse pensar nisso após a sua morte. Uma sensação de "como assim"?
Muita gente foi ao velório, muita gente que sofria visivelmente. Meu pai não era uma pessoa extremamente carinhosa, mas ajudou tanta gente nessa vida que a saudade dele não vai acabar nunca. Meu pai era íntegro, generoso e solícito. Tinha defeitos como todo mundo, mas um caráter impecável. E a minha saudade dele também não vai acabar nunca.
Hoje, aos 33 anos, sou órfã. É outra coisa muito louca de se pensar. Jamais imaginei que aconteceria tão cedo. Principalmente porque eu tinha pais muito novos. Minha mãe morreu de um câncer, aos 53, quatro anos atrás. Tudo muito surreal. Muito dolorido. Principalmente porque essas coisas mudam toda a nossa perspectiva de vida, arrasa com as nossas referências e deixa a gente sem chão. Literalmente. A luta agora é descobrir como viver com essa falta. Minha mãe não era exatamente presente na minha vida e nunca dependi dela para nada. Mas meu pai era toda a base e apoio que eu tinha para todas as coisas. Era minha segurança, meu plano B, era minha rota de fuga, minha proteção.
Minha sorte, se é que existe alguma sorte numa situação como esta, é que ele nos criou para sermos independentes. Sempre esteve lá, sempre deu apoio, nos mimou um pouco, mas nunca quis que fôssemos dependentes. Ele criou os filhos para viver sem ele, só que nem ele achou que seria tão cedo. O que parece um ironia hoje, já que ele sempre disse que morreria novo.
Meu pai era apaixonado pela minha mãe. Abandonado por ela como foi há mais de 15 anos, eu sempre acreditei que ele nunca se recuperou. E quando ela morreu, se instalou nele uma tristeza maior do que aquela com a qual ele já vivia.
Agora, com a morte dele, a imagem mais forte para mim é uma foto dos dois, do dia do noivado, muito novinhos, lindos e apaixonados. Com sorrisos do tamanho do mundo e de mãos dadas. Nada me tira da cabeça que é meio assim que eles estão hoje, onde quer que estejam.

A conta do meu pai fechou.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

PÁSCOA
Sempre que chega a páscoa e primeira imagem que vem a minha mente é de uma que eu devia ter uns seis anos e quando acordei no domingo de Páscoa tinha um ovo vermelho com um patinho, de verdade, junto! Tem até uma foto com o ovo, o patinho em cima e eu no fundo. Aquilo foi uma loucura, amo aquele dia até hoje!
Depois de muito tempo me casei e alguns anos depois também tinha duas filhinhas para surpreender no domingo de Páscoa.
Não segui a tradição do patinho, porém fazíamos patinhas de coelho usando farinha branca pela casa inteira até os "esconderijos" dos ovos de Páscoa. As minhas filhas ficavam loucas atrás dos ovos e bombons, era muito legal ver a alegria delas naquele momento... Os coelhos de pelúcia também não faltavam.
Teve uma Páscoa que fizemos na casa da praia e as "pegadas" dos coelhos foram feitas de lama, saindo do mato! A alegria de ter crianças em casa nessas ocasiões é inenarrável. Aí as crianças crescem a a data até perde um pouco do sentido.
Não podemos esquecer o verdadeiro sentido da Páscoa que é renascimento, esperança e fé. Fé = acreditar naquilo que não vemos, mas sentimos, principalmente o amor que devemos carregar no coração e praticar com todos.
FELIZ PÁSCOA! NÃO PERCAMOS A ESPERANÇA E O AMOR NO CORAÇÃO!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Vida, vida...

Vida: que turbilhão de coisas que acontecem... Fomos pegas de surpresa com a extinção da vida de uma das pessoas mais queridas da família. Vou contar a sua história: em 1972, quando eu tinha 10 anos, minha única irmã, mais velha 8 anos, foi fazer um curso de datilografia. Lá na "escolinha de datilografia da Dna. Cecília", como era conhecida no bairro, minha irmã conheceu seu namorado, que era filho da Dna. Cecília, e, depois de 5 anos de namoro mais noivado, se casaram. Teve almoço de noivado e tudo mais, com as mães colocando as alianças nas mãos direitas dos noivos, foi muito bacana!
O casamento foi como mandava o figurino e como estávamos na década de setenta meu cunhado se casou num lindo smoking verde petroleo de veludo, afinal estávamos no mês de julho. Até esse casamento acontecer as famílias ficaram super amigas: a irmã de meu cunhado tornou-se minha melhor amiga, mesmo a gente tendo dois anos de diferença, o que para adolescente é demais!, eramos inseparáveis! Noitadas jogando buraco, 21, batendo papo. Infelizmente nesse meio tempo o pai de meu cunhado faleceu e o casamento aconteceu sem a presença dele.
Depois de um ano de casados em 1978, nasceu minha sobrinha mais velha. Dois ou três meses antes disso fui morar com minha irmã e meu cunhado para ajudar a cuidar da bebê! Nossa que emoção: tentava fazer tudo certinho para os dois não terem trabalho, pois todo mundo trabalhava e eu só estudava. Depois que minha sobrinha nasceu, fiquei mais uns dois ou três meses, acho, meus amigos de colegial e meu namorado da época iam me visitar e visitá-la. Ela era uma bebê maravilhosa, bem humorada e brincalhona. Depois de 5 anos nasceu meu sobrinho, minha Nossa Senhora, que bebezão! Todos achavam que ele estava no berçário por engano. Foi um bebê lindo, preguiçoso, acho que começou a andar com quase dois aninhos, ai também não parou mais: subia nos móveis, adorava uma bagunça, mas infelizmente eu não pude participar muito da infância e adolescência dele, pois já estava casada, terminando a faculdade e trabalhando muito. Sempre que podia ia busca-lo na escola, tentava participar de sua vida, mas ele sempre foi mais arisco...
Assim, a relação entre meu cunhado e eu foi se firmando como podíamos. Ele e minha irmã se separaram, depois que meu pai faleceu, e ele foi ficando cada vez mais distante do lado de cá da família.
Mesmo assim eu insisti e sempre que podia trazia meus sobrinhos pra perto de mim, de minhas filhas e de tudo que eu podia oferecer, nunca foi muito, mas era o que eu tinha... AMOR
Acho que esta tudo certo: hoje vejo meu cunhado como um irmão mais velho que sabe, mas não se intromete, quer se impor, mas se contem, gosta sem demonstrar. Sabe os irmãos de antigamente...
Mesmo ele não falando e pouco demonstrando nunca vou esquecer das conversas, dos conselhos até das discussões, tudo fez parte de nosso crescimento e esteja ele aonde estiver ele sabe o quanto o considerei e o quanto gostei e tentei deixar o fardo um pouco mais leve...
(Uma singela homenagem a Janio Carlos Mikowski)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Nunca fecha...

Nem vou reclamar. Só reconhecer o que todo mundo sabe mas esquece o tempo todo: a vida é muito fugaz. Acho que esquecemos disso porque passamos tanto tempo na mesma rotina, fazendo a mesma coisa, com a mesma energia, que tudo parece entalhado em pedra. (Cuidado... É aí que temos que acordar... Sensação de que a vida é sempre a mesma é desperdício do pouco tempo que temos na Terra.)
Há pouco mais de 30 dias escrevi aqui que voltava à minha luta contra o cigarro. E, naquele momento, achei que esse seria mesmo meu maior problema pelos próximos meses.
Alguns dias depois desse post, meu pai se internou em um hospital em São Paulo e está lá até agora. Volto a escrever porque ele está apresentando melhoras consideráveis depois de mais de um mês de UTI, entubação, sedação, e um risco de morrer que não gosto nem de pensar.
O cigarro voltou rapidinho para a minha vida, claro. Sem condições nem vontade de passar esse perrengue no "seco". Segurei firme as pontas até esse fim de semana, quando ele finalmente saiu da UTI. O stress de tantos dias cobrou sua conta e passei dois dias prostrada. Já estou melhorando também, mas a linha é tênue, e eu posso senti-la. Então tenho que tomar cuidado. Como me disse uma amiga muito querida, e que está a milhas de distância mas encontrou tempo para me ligar e levantar um pouco meu astral: "cuide de si".
E falando em amigos, eu afirmei uma vez a um deles que a conta nunca fecha. E é verdade. Temos perídos melhores e piores. Períodos de tempestade e calmaria. Mas fechar mesmo, ficar tudo bem e equilibrado na vida, isso não acontece nunca. Melhor acostumar com a ideia porque o sofrimento é menor.
Quando não é o emprego, é a vida afetiva, quando não é esta, é a familiar, quando não é isso é a saúde, ou problemas com algum amigo.
E é assim mesmo. Às vezes mais, às vezes menos. Só nunca fecha.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diário da fumante que parou

Resolvi parar de fumar de novo. Tentei isso em 2008, mas estava tão deprimida que não tinha a menor chance de dar certo. Voltei a fumar depois de 4 meses.
Dessa vez estou mais tranquila, o trabalho está ok e tenho um amor na minha vida, aliás na minha casa, aliás parando de fumar comigo (parece ótimo, não? Um ajuda o outro e tal... Não é bem assim.)
Minha vida em Curitiba já é minha. Ainda digo que vou para casa quando vou a SP, acho que isso não vai mudar nunca, mas quando estou aqui digo que estou em casa, o que antes eu não conseguia.
Dessa vez, parece que há mais chances de sucesso.
Vou dizer, fácil não está. Estou em meu 12o dia e tenho ataques diários de comer o que vier pela frente, além de uma ansiedade que não passa nunca. Incrível quanto tempo o corpo e, principalmente a cabeça, levam para se livrar de um hábito de tantos anos. Todos os dias me sinto como uma fumante que não pode fumar hoje. Aliás, sei que sempre serei fumante. Não tem ex-fumante. Tem fumante que parou e fumante que não parou.
De qualquer forma, com todas as dificuldades que os fumantes enfrentam cada vez mais, descobri que muita gente está parando de fumar também, e isso me dá alguma alegria na minha decisão. Porque, no final das contas, eu adoro fumar, sempre gostei muito, e preciso de todo o incentivo possível para ficar longe do bicho.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O Brasil tinha que ter CRP!


Não, não é abreviação para caras de pau, que isso aqui não falta. Seria o suposto Conselho Regional de Política. Porque algumas coisas da democracia, simplesmente não entram na minha cabeça. Há um tempo atrás, escrevi um texto sobre o caso Tiririca e como me parecia a coisa mais nonsense do mundo o cara poder se candidatar a qualquer cargo só com a alfabetização.

COMO ASSIM?!?!?!

Quer dizer que para escrever meia dúzia de linhas para qualquer empresa eu tenho que ralar quatro anos, estudar para caramba e ainda fazer estágio e esses caras administram parte do país (não importa o tamanho, é parte do seu e do meu país também), só sabendo ler e escrever?
Que tal instituir ensino superior em administração, só para o cara começar a pensar em ser político? Não, né? Muito complicado fazer quatro anos de faculdade. E depois, se o cara já quer ser político, vai é comprar o diploma, nem adianta.

Aí vem a segunda questão. O sujeito se mete em todo tipo de escândalo, sofre todo tipo de processo, vai preso ou sofre impeachment, e volta a se eleger. Claro que eles não querem lei da ficha limpa, ia faltar político nesse país. Porque eles não perdem a licença para exercer a política? Parece esquisito? Médico perde a licença, advogado e engenheiro também. Jornalista ainda não, mas seria ótimo se houvesse um bom conselho de jornalismo (só que isso é indignação para outro texto).

Político devia ser profissão formal, com formação superior e conselho. Se meteu em escândalo? Não pode mais ser político. Vai arrumar outra coisa para fazer. E pronto.

Autoajuda

Direto do FolhAvulsa:
Os sonhos de Mariana estavam despedaçados. Ela mais uma vez tentou, em vão, alcançar seus objetivos, mas fora impedida de continuar. Os obst...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Hoje é um novo dia, de um novo tempo...

Gente, como é absurdamente irritante o contágio que esta musiquinha da Globo nos causa quando se inicia o final de ano... Que coisa! Aí começa o desespero: terminou o ano e eu não cumpri minhas promessas do final do ano passado! São elas: emagrecer 300 kgs, praticar exercícios físicos 24 horas por dia, ficar bilhardária trabalhando quase nada, encontrar "o cara", bonito, rico, inteligente sabe? Aquele que não existe! Que frustante!
Bem, de qualquer forma me considero uma vencedora: não emagreci, porém não engordei, há! Não fiquei bilhardária, mas inaugurei um novo escritório, com um sócio fantástico e assim chegaremos lá! Exercícios físicos, bem digamos que o suficiente... Homem, estou com o meu mesmo que é lindo, inteligente, não é rico, bom ninguém é perfeito mesmo.
Assim vamos iniciar o final: Natal, família reunida, viagem de final de ano para a casa da praia, assim vamos cumprindo a tabela, mas sempre muito alegres.
A vida é assim: cheia de momentos felizes!!!!!!

FELIZ NATAL E UM 2012 MA-RA-VI-LHO-SO PARA TODOS!!!!!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Perhaps love

Hoje resolvi não reclamar, não meter a boca em nada nem em ninguém, resolvi não me indignar. Resolvi falar sobre amor, que quer queira, quer não queira, está sempre na vida de todo mundo, seja na versão doce, salgada ou amarga.
Amor não é coisa simples. Não é novela da Globo nem filme de Hollywood. Amor é uma decisão muito séria que a gente toma. O complicado com o amor é que parece que a recompensa vem antes, e é aí que muita gente desiste muito rapidamente, sem saber o que ainda está por vir.
Quando a paixão acontece parece que está tudo certo. A gente quer se ver o tempo todo, quer se amar o tempo todo, os pensamentos e vontades entram em sintonia e o mundo todo parece dizer “é isso aí!” Uma delícia com cara de recompensa por todo o tempo que você perdeu procurando uma pessoa. A pessoa.
Mas a paixão acaba, ou se abranda, e é aí que o verdadeiro trabalho começa. Querer estar com alguém exige tanto de nós, quanto do outro, inúmeros e diários esforços. Uma das bases mais fortes do amor é a admiração. A outra é a amizade. Sem essas duas coisas, nada funciona. Mas o que a gente mais falha em perceber é que o mais importante não é admirar o outro, é se fazer admirável para ele. Não é esperar a amizade incondicional e, sim, ser esse amigo indispensável para a pessoa que você escolheu.
Porque, por mais que a gente não escolha quem amar, a gente escolhe sim cultivar o amor que sente por essa pessoa, ou desistir dele. E desistir está parecendo cada vez mais a opção escolhida. Quando a gente encontra uma pessoa bonita por dentro, de índole e caráter impecáveis, educação e potencial para crescer junto com a gente, o resto se resolve, e parece que as pessoas estão se esquecendo disso.
Dá trabalho, exige muita conversa, muita paciência, vontade mesmo de fazer dar certo. Exige iniciativa, flexibilidade e proatividade. Parece até job description mas existe uma diferença básica: no amor não cabe o talento para a liderança. Ele só funciona quando a parceria é plena, e os dois estão andando juntos. Não há lugar para as lutas de poder no amor. Dar poder ao outro de vez em quando, só por amor mesmo, como um presente.
A verdade é que, quando os frutos desse trabalho começam a surgir é que vem a verdadeira recompensa. Um amor cultivado e querido por ambas as partes é tão precioso quanto um filho. E a parceria que foi gerada dura a vida inteira, mesmo que o amor acabe.

“So if you really love me
Say yes
But if you don't, dear,
Confess
And please don't tell me
Perhaps, perhaps, perhaps”

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fim de ano: o início

Meu carro parece que adivinhou que iria ser substituído. Quebrou algumas vezes nas últimas semanas e só está me dando prejuízo. Mas o carro novo ainda não veio, e eu tenho que decidir se coloco o bicho na estrada, para uma viagem à fazenda de uma amiga a 500 Km de distância, ou se fico com medinho e vou de busão.
Essa é só uma das milhões de coisas que preciso decidir antes que 2011 acabe. O fim de ano tem uma propriedade rara de demorar um século para chegar e passar num piscar de olhos. De repente a gente quer encontrar todo mundo, fazer todas as pequenas viagens que não fez, descansar tudo que não descansou. Mas não tem fim de semana suficiente para isso.
Novembro já é fim de ano. E muitas coisas vão ficando para trás. A partir de agora, nem adianta mais querer fazer dieta. A academia foi largada (por mim, pelo menos) há semanas. Não vejo a hora de ter “férias” do alemão. O cansaço parece que se acumula com o fim do ano porque temos coisas demais para fazer.
Daqui para janeiro, a fatura do cartão de crédito fecha cada vez mais cedo. As contas chegam mais cedo em casa também. Todo mundo na fúria do fim de ano, o que só aumenta a ansiedade. Eu já estou pensando que dia da semana vou fazer minha unha antes de viajar em 22 de dezembro! Mais de 45 dias para planejar uma manicure? O fim de ano está me deixando (mais) doida mesmo...
A aproximação das férias, que estou tanto precisando, também cria uma expectativa. Sei exatamente o que ainda tenho que cumprir no trabalho antes de sair, mas parece que volume muda todo dia. Tudo entra em turbilhão, e eu precisando de um pouco de paz. A única vantagem é que, como todo fim de ano, ele realmente vai acabar. Aí a ansiedade é começar tudo de novo.

“So this is Christmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear ones
The old and the young “

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Errata

Sou perfeccionista. E como tal, detesto errar ou, pior, admitir que estava errada. Sou taurina também, e isso só piora as coisas (rs). Mas quando falei em um dos meus textos que o ser humano não consegue produzir com qualidade durante oito horas seguidas, cometi um mau julgamento. E, pensando nesse trecho, acabei esbarrando em uma outra questão.
O ser humano desmotivado realmente, não produz oito horas seguidas. Mas a força que temos dentro da gente é muito maior do que isso e, fazendo qualquer coisa com prazer, somos capazes de produzir horas e horas a fio. Até o corpo pedir arrego.
Lembrei de quando fiz o TCC da pós de cinema. Levei muito tempo na pesquisa, ou apurando como nós jornalistas dizemos, sempre acreditando que a tarefa de escrever seria muito mais complicada. Mas o assunto que eu escolhi me era muito caro, era algo que eu realmente amo, e quando eu me sentei para escrever a maior porção do texto, cerca de 30 páginas, lembro que comecei perto do meio-dia e escrevi direto até meia-noite. Só parei algumas vezes para ir ao banheiro e comer alguma coisa.
Como eu ainda fumava dentro de casa, nem pausas para o cigarro eu fiz, só pausas para esvaziar o cinzeiro... Foram 12 horas direto de uma produção intelectual totalmente intensa, totalmente focada, cujo resultado me foi super satisfatório. Até hoje tenho muito orgulho dos meus trabalhos acadêmicos, e são eles que me fazem acreditar no poder da motivação.
Na graduação, resolvi que iria fazer como TCC uma revista de música. Tinha que incluir um pequeno histórico da revista de música no Brasil, certo? Mergulhei com tanta força no tema que passei seis meses juntando material e fazendo entrevistas e o resultado foi uma pequena “enciclopédia” de quase 50 títulos, desde as revistas do rádio, que eu amei fazer. Até hoje acho essa parte teórica do meu TCC de jornalismo tão importante quanto a revista que produzimos em si, que também ficou linda e é meu xodó.
Ou seja, a motivação transforma qualquer tarefa, por mais hercúlea que seja, em uma viagem gostosa, que deixa boas lembranças. E aí vem a questão-chave: onde está a nossa motivação? Onde está a vontade para fazer as coisas? Mesmo dentro de profissões que escolhemos, por que sempre parece que “o” emprego ainda está por vir? Porque somos um grupo de pessoas (nós, na casa dos 30 e pouco anos) que viveu a maior transformação de todas, que estava no olho do furacão, e ainda não conseguiu sair dele.
Em uma conversa com amigas falávamos de tudo que a geração X tem de desvantagens em relação às predecessoras e sucessoras. E uma dessas desvantagens é que parece que vamos passar nossa vida tentando viver como nossos pais no mundo de nossos filhos, ou irmãos mais novos até. Os pais sabiam o lugar que lhes cabia e a cobrança era muito menor. Os filhos já chegam exigindo do mundo o que desejam (pode não estar certo, mas alivia pressão, vai). E nós queremos mudar um mundo que já mudou.

Quem precisa mudar somos nós.

“I watched a change in you
It's like you never had wings
Now you feel so alive
I've watched you change”

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Algum tempo depois...

Tempo. Vira e mexe eu volto a falar de tempo. Quanto tempo faz que eu não escrevo? Oras, eu sou jornalista, escrevo todo dia, mas escrever para mim mesma é outra história. E hoje quero dizer que continuo me sentindo atropelada pelo tempo.
E cada vez mais sacuda. Da pressa, da indiferença, da correria, do prazo impossível, do prazo (ponto), da necessidade de se engolir sem água um milhão de pílulas de informação por minuto, da obrigação de saber que teve protesto de camelôs no centro de São Paulo, terremoto na Líbia, que a bolsa subiu por causa da Caterpillar e que o pai do Gianecchini morreu de câncer. Tudo isso só hoje. Amanhã as notícias são outras e eu vou ter que saber também.
Tô cansada dessa paranoia que encurta cada vez mais os meus dias e me impede de ter paz. Paz para deitar no sofá e não fazer nada, para ter 48 horas de fim de semana, para esquecer da vida, para passear sem pressa, para ter certeza que vai emendar o feriadão e poder planejar uma pequena viagem.
Tudo bem, sou um ser humano extremamente ansioso, e isso já é um agravante, mas nada me convence de que as pessoas não estão loucas. Gente que acha bonito trabalhar até ter um problema no estômago ou no coração. Gente que acha chique estar ocupado o tempo todo. Gente que acha que voltar para casa, para a pessoa que a gente ama, é velhice ou preguiça. Gente que acha que funcionário está aí para produzir 8 horas seguidas. Tudo louco, daqueles de amarrar em poste.
E assim eu vou pensando cada vez mais seriamente nas cidadezinhas por onde eu passei, e como seria morar num lugar tão pequeno que tirar o carro da garagem é bobagem. Ainda não acho que eu aguentaria. E ainda não conheci minha cidadezinha dos sonhos também.
Mas se um dia eu chegar num lugarzinho que fizer meu coração não querer ir embora nunca mais, pode acreditar, eu não titubeio, porque sei que jamais terei saudades de um lugar que me rouba o tempo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LIBERDADE...

Fiquei anos a fio tentando entender o que era a tão falada "liberdade".
Hoje creio que saiba o que é esta maravilhosa experiência de, mesmo com muita responsabilidade, fazer o que quiser! Andar sem rumo. Pegar um carro e viajar para lugares conhecidos ou desconhecidos, viver a vida, leva-la em suas mãos. E vou dizer que para isso não precisamos de muito dinheiro não (o que demorei bastante para entender também). As vezes é apenas uma questão de organização de tempo. Ai sim me pego em pecado, pois meus projetos estão se concretizando agora, quase aos 50, e agora sim posso me organizar e priorizar as coisas realmente importantes para mim, como pessoa única.
Já estou planejando uma viajem para o sul matar saudades de minha querida amiga e sobrinha, também de minha prima irmã, ambas moram em meu coração, quem sabe, no fim do ano Europa, mais precisamente Itália! E esta é uma promessa que fiz pra mim mesma: "Não morro antes de fazer esta viagem! Itália..."
Entendem, isso é liberdade, pois na ponta do lápis essas viagens e o restante que ando tentando fazer como diversão nem são tão caros, também coordenar trabalho menos exaustivo X trabalho mais rentável, também não é tarefa tão impossível assim, estou quase lá!
Desde que resolvi não ter mais carro, tenho me sentido muito mais livre, por exemplo, saio do trabalho e resolvo se volto pra casa, se visito algum amigo ou se vou encontrar algum amigo em um bar e tudo isso de condução, ou na pior das hipóteses de táxi.
No aspecto economia, essas despesas são infinitamente menores do que manter um carro full time, fora o não stress de dirigir na nossa megalópole São Paulo.
E caminhar então, com os calçados certos, passear pela rua, realmente vendo as vitrines e tudo de bom que o bairro e a cidade oferecem é muito bom.
As pessoas podem pensar que a minha visão de liberdade é minimalista, que sem MUITO dinheiro nem vale a penas ser livre, ENGANAM-SE, a liberdade financeira é boa, mas a liberdade de escolhas é melhor ainda...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cadê a cultura das pessoas?

Com muito tempo entre hoje (uma segunda-feira, meio típico...) e a última vez que eu parei para escrever, serei obrigada a expressar ideias sem muita relação umas com as outras. Bare with me.
Uma das coisas que ando martelando comigo mesma é a necessidade que as pessoas parecem ter de saber tudo o tempo todo. Não fomos ensinados que qualquer coisa em excesso é ruim? Porque temos que consumir informação desenfreadamente e sermos julgados com um olhar de desdém quando admitimos que não vimos o acidente na televisão ou o vexame do político no noticiário?
Eu que sou jornalista sofro ainda mais com isso. Imagina jornalista que não gosta de assistir jornal, nem ler o danado porque o papel suja a mão? Eu até sou bem-informada, acompanho muita coisa pela internet, mas tenho paúra da necessidade de saber tudo o tempo todo.
O que aconteceu com o ser humano culto? O que aconteceu com ser culto? Os livros de auto-ajuda e best sellers adolescentes realmente tomaram o lugar de todo o mundo de coisas maravilhosas que (ainda) estão disponíveis nas livrarias? Tudo bem, já tem geração que não gosta do livro de papel... Lê no Ipad, no Kindle, no celular, não interessa, mas lê. Porque a falta de cultura, assim como a falta de repertório (e muito pouco da informação cotidiana realmente se transforma em repertório) são responsáveis por pessoas rasas, que não conseguem se emocionar com a beleza de uma música, não conseguem entender um bom filme de arte e nunca vão evoluir mais do que a novela, o Faustão, o Didi e o Zorra Total.
Acho engraçado como tanta gente está lutando bravamente para aderir às novas ondas de vida saudável e não consegue perceber que a saúde do intelecto está seriamente ameaçada. A nutricionista manda a gente cortar de vez as porcarias que não acrescentam nada à saúde do corpo, e comer todo o resto na maior variedade possível. Quanto mais colorido e variado o prato do dia a dia, mais nutrientes e vitaminas estaremos recebendo, e os resultados aparecem a curto, longo e médio prazo.
Com a cabeça é a mesma coisa. Livros, vídeos, filmes, música, lugares, pessoas, tudo acrescenta para um bom nível cultural. Contanto que as porcarias sejam esquecidas e consumidas cada vez menos. Consumidas apenas como referência, ou “só para poder falar mal”, como eu gosto de dizer.
Com o tempo passando cada vez mais rápido, minha angústia com a pressa só aumenta. E o que eu acho que foge às pessoas loucas por informação é que enquanto elas se atualizam com 259 novos “fatos”, outro milhões estão acontecendo no mundo. Muitos bem mais interessantes. E elas nunca vão conseguir ver tudo. Então porque não selecionar? Afinal, a informação passa. O que fica e faz diferença é a cultura adquirida.

No fim, nada de ideias diferentes. Pelo jeito essa está realmente me incomodando...

“Small minds are concerned with the extraordinary, great minds with the ordinary.” (Pascal)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A revolução pelo consumo

Somos uma geração que reclama que ninguém faz nada. Somos uma geração que sempre reclamou que nós não fazemos nada, somos acomodados, não temos ímpetos de rebeldia. Éramos muito jovens quando fomos às ruas com as caras pintadas para tirar do poder um homem que fez algumas coisas boas, mas fez muitas coisas muito ruins. E essa foi, basicamente, a última vez.
Agora as pessoas se manifestam pela internet, no conforto de seus lares ou escritórios, sem sair da frente do computador, (nas ruas só se estiverem acessando por tablet ou celular). No Facebook está sendo organizado um “twitaço contra a corrupção” (O que Scheiße é isso?!?!). Se já andávamos meio acomodados, agora a coisa piorou muito, porque estamos vivendo a ilusão de que o comodismo acabou.
Também tem gente querendo ressucitar os caras-pintadas. Grandes manifestações até surtem algum efeito, mas há quanto tempo elas não mudam nada significativamente? A corrupção continua rolando solta, e cada vez mais profissional. Os governos fazem, sim, o que querem e não pense que abaixo assinado pela internet tem algum efeito. Se ao vivo e a cores, e às centenas nas ruas já não é fácil conseguir alguma coisa, imagine uma lista de assinaturas de pessoas que nem levantaram da cadeira para “protestar”. Somos acomodados, e agora acomodamos a revolução.
O que eu nem acho tão grave assim já que, a meu ver, o tempo de manifestações de massa acabou. Somos assim porque fomos criados para ser assim. Não passamos pela verdadeira revolução como nossos pais. Crescemos em um país já relativamente estável e não tivemos mesmo que brigar por nada.
A nossa revolução tem que ser outra. A única certeza que temos é de que contra os interesses financeiros não há muito argumento. E que, exatamente por isso, só dói quando dói no bolso. Na era da informação e do conhecimento nunca nossa geração esteve tão munida de ferramentas para ferir os poderes onde incomoda. Até porque, boa parte desses poderes já está em mãos privadas, e empresa vive de lucro.
Precisamos começar a escolher muito bem o que vamos consumir e de que forma. Escolher empresas e produtos por sua idoneidade, pela qualidade e vantagens oferecidas. Empresas precisam querer nosso dinheiro, não o contrário. Precisam parar de nos incomodar com ligações não solicitadas. Se ninguém comprasse nada por telemarketing ativo ele não existiria mais. Precisamos pensar muito se é justo pagarmos cada vez mais por produtos com componentes importados se o dólar não para de cair. Lembra quanto custavam as coisas no começo do plano Real, quando era 1 para 1? Precisamos parar de fazer fila para ser o primeiro a comprar aquele tablet, ou celular, que chega aqui custando muito mais vezes seu preço original do que jamais vai ser a relação dólar/real, e só comprar alguma coisa quando o preço cair significativamente.
Somos roubados diariamente. E a grande revolução para a nossa geração vai ser crescer, abrir os olhos, se instruir e acabar com esse oba-oba.
O poder está aí e é só aprendermos a usar.

"You say you want a revolution
Well, you know
We all want to change the world
You tell me that it's evolution
Well, you know
We all want to change the world"

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tempo e Liberdade


Sei que tenho forte relação com esses dois conceitos, que dificilmente conquistamos um sem o outro e que esse, provavelmente, vai ser o maior conflito da minha vida toda. A minha ansiedade faz com que o tempo passe muito rápido e, ao mesmo tempo, muito devagar para mim. Mais um paradoxo na minha existência de paradoxos.
É engraçado tentar trocar de assunto e sempre cair no mesmo lugar, o tempo, que acaba sendo quase um lugar para mim. Um lugar para onde eu quero ir, um lugar sem tempo onde eu tenha todo o tempo que eu quiser ou precisar. Isso, para mim, é o verdadeiro sentido de liberdade. Se fazer o que quer, quando quer e se quer.
Na minha atual situação, esse sonho só chegaria mais perto com mais dinheiro. O que eu  também acho engraçado, porque eu nunca fui ambiciosa no sentido ruim da palavra, nunca tive ganas de ser muito rica, sempre soube que algum conforto e segurança já me fariam plenamente feliz. E hoje, se anseio por muito dinheiro, é só para bancar essa liberdade que eu tanto quero.
Passar todas as semanas esperando dois dias de folga que passam num piscar de olhos me parece insano. Ter que cumprir horários pré-estabelecidos que não se adequam às necessidades das minhas tarefas parece pior ainda. Ter que criar num dia ruim ou não ter nada para criar num dia inspirado é pura burrice. E, mesmo assim, é assim que quase todos os negócios são tocados.
Fazer o quê?
Esperar o tempo passar e fazer planos por tempos melhores...

“Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines”

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Segunda-feira...

Só para variar, que é bem difícil um post meu no início da semana. Estou experimentando sentimentos conflitantes hoje... Meu fim de semana não foi lá aquelas coisas. Acontece com todo mundo. Mas, em compensação, estamos numa semana de lua crescente que promete, e estou positivamente ansiosa.
Às vezes, tenho umas “intuições”, um sentimento que eu não consigo explicar de “acho que agora vai”. Uma energia, parece, que se movimenta e é perceptível. Não sou exatamente uma sonhadora, sou otimista, mas sou muito realista. E mesmo assim, a sensação está aí.
Dormi muito mal essa noite e estou caindo de sono, como em toda segunda-feira que se preze. Mas minha intuição também está achando que vai ser uma semana melhor e por isso me animei a escrever algumas linhas hoje.
Pena que parece que tem uma gripe vindo me pegar...

“It's just another manic Monday
I wish it was Sunday
Cause that's my fun day
I don't have to run day
It's just another manic Monday”

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

About me... (um texto de sexta-feira diferente)

As coisas não estão das mais simples, mas já foram muito piores, então tudo que eu preciso agora é respirar, avaliar as possibilidades, e trabalhar de acordo com elas. Tudo vai se resolver, e logo.
Uma coisa que eu aprendi ao longo dos anos de convivência comigo mesma é que meu poder de decisão é poderoso. Eu mesma me saboto, muitas vezes. E quando eu coloco alguma coisa por escrito (escritos pessoais, não profissionais) é porque acredito piamente no que estou escrevendo. Não gosto de falácias. Mas como todo mundo tenho teorias empíricas, nas quais também acredito piamente. Tenho a necessidade de me sentir especial, e acho que sou especial, mas também tenho consciência de que, se todo mundo for especial, todo mundo é comum. Incluindo eu.
Divagações à parte, comentei num blog essa semana sobre as patacoadas de “dia do orgulho hétero” (http://inacio-a.blogosfera.uol.com.br/2011/08/03/orgulho-heterossexual-e-apenas-eufemismo-de-discriminacao/) e coloquei uma posição que acabou criando ramificações na minha própria cabeça. Disse que sou contra manifestações do tipo “Parada Gay” (não tenho nenhum tipo de preconceito, a minha posição é social), e cheguei à conclusão que o homem social é basicamente um idiota. Que tantos dos problemas e mazelas que os grupos de pessoas passam hoje vieram do próprio homem e, pior, de homens que já morreram há centenas de anos. Tenho uma posição muito particular, e meio irrevogável, do que constitui a sociedade de hoje. E acho que se cada pessoa parasse para pensar em si mesma como um pequeno universo, chegaria a conclusões parecidas com as minhas.
Todo mundo mente, já dizia House. Uns mais, outros menos. Uns para bem, outros para mal. Mas todos temos essa capacidade. Todo mundo muda de ideia. Todo mundo manipula, por diversos meios. Todo mundo tem interesses próprios (não, eu não acredito em altruísmo puro). Todo mundo quer felicidade e conforto. E, como eu já disse, todo mundo quer se sentir especial.
Partindo dessas premissas, por quê seria tão impossível imaginar que todo preconceito foi plantado pelo próprio homem? Alguns poucos homens há milhares de anos, talvez por motivos diferentes aos que geram o preconceito feio que sentimos hoje, mas ainda assim, plantado? E pior! E se tudo não passasse de um grande mal-entendido?
Penso a mesma coisa das religiões. Foram inventadas por seres humanos para explicar o inexplicável. Simples assim. Não acho que sejam ruins, acho que algumas têm muitas coisas ruins, e muitas têm coisas boas. Ruim é quem acha que a religião é verdade absoluta (tem noção mais louca do que essa?) e usa para justificar comportamentos. Religiões (todas) foram inventadas pelo homem.
Desta forma penso sobre várias outras coisas, mas já esclareci meu ponto. E ele termina num momento John Lennon que eu tive de que pessoas são pessoas, que as diferenças existem sim, mas só socialmente. Diferenças que causam preconceito foram inventadas pelo homem, em todos os níveis. Bebês não fazem nenhum tipo de discriminação e lambem até cachorro. Bebês gostam de outros bebês porque todos são bebês.
Eu sempre achei que pensava assim, e a epifania foi descobrir que eu realmente acredito nisso. Pessoas são pessoas, não importa nada. O que importa, e para mim o que as define é, sim e somente, seu comportamento. Muita gente, na minha visão, se beneficiaria muito com uma atitude muito simples de olhar o quadro todo de fora dele, enquanto se coloca como personagem principal. Quem quer sofrer preconceito? Quem quer se sentir perseguido? Quem quer ter medo? Ninguém. E é aí que eu empaco e não consigo entender o porquê de inflingir esse tipo de coisa a outro. Só porque ele é o outro? E quando o outro for eu?

"Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today"